sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O Labirinto do meu amigo

Ele me olhou e me disse, quando a vale vale e não v ale a pena.
Quando ele deixou de viver e passou a existir.
Percebi em seus olhos a desesperança em salvar sua dignidade.
É humano.
É homem.
Mas, se perdeu nas curvas da paixão ... não percebeu seu fruto prospero.
Lamentei por ele.
Suavizei sua caminha. Ele é jovem.
Ele não sabe ainda andar.
Mas, sabe correr, sabe esconder, sabe também ser não ele.
Ele me olhou, com o mesmo olhar de amigo antes,
Senti seu labirinto ... quem nunca entrou num labirinto....
 quem está do lado de fora, sabe a saída e o melhor: Não existe nenhum Minotauro ...
Polemico a existência de meu amigo ...
vai gastar os dias e noites
em busca de si, e ele esta dentro de si ...
sem Deus ou outra coisa.... ele nem sabe quem é ele e do que é capaz.
É um bom homem,
Sabe ser gentil.
Não tem discurso de ódio ...só desiludiu ...
esta acordando ...
os olhos falam da alma ...
ao Meu amigo
meus sinceros abraços
e aperte os nós de seu novelo de lã.... Há saída deste labirinto ...
capaz que encontre com algum conhecido ....
Deus  me livre entrar num labirinto ....Deus me livre crer num Minotauro ...
Ao Meu amigo,
as asas de Ícaro eu  desejo, com ceras mais fortes...
voar é teu destino ...
acho que você não é daqui .... seu fruto sim ...
Paz... e reconstrua seu  Jardim da Babilônia .... Meu Caro Amigo Salomão ...
Luz ...
Abraços...
vai dai ... terminando aqui de plantar minhas sementes em meu jardim ...
um dia ficará suntuoso e poderei desfrutar 
da minha dignidade ....


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Vida

Não perdoo.
Não condeno.
Assim, me encontro
e depois, me perco ...
Não voo, não ando
ainda não corro ....
Não estou em nenhuma existência
mas, do nada  sou e do nada fui
Estranho a noite
e prateio minha face com a lua.
Não sou arvore,
Não sou água,
Não estou nem aqui
e nunca fui até lá ...
Não há abismos
Pouco ou grande altura
ainda me fazem sonhar
Não erro. Não conheço o acerto
Sei do ar
e do pulsar de meu coração,
aspiro a vida
o ar
e ainda não sei 
pra onde vou  e nem de onde vim
sou filha do vento, do tempo ou do mar
talvez de seus olhos que me lê
Não sou o nada
Sei que sou  o mais precioso
dentro de  mim...
sou a  alma
que aspira o mesmo que você: 
Viver!!

Créditos imagem: http://maosencantadaseencantadoras.blogspot.com.br

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Velho Antero

Era natural  pra ele , levantar seu braço  forte açoitar, esfaquear a qualquer um a sua frente quando contrariado. 
Sabia que era a lei, por onde fosse. 
Sua  palavra era única, e jamais voltara  atrás ante uma decisão. Sabia da pobreza, conhecia a fome, calava frente a um riso de uma criança...mas, era implacável quando furioso.
Seus olhos  eram de impressionar ao  homem,  a mulher, ao velho... ao cão... sua estatura era comum, mas, algo incomum havia naquele homem. Não era seu caminhar lento e  passo largo, não eram seus ombros largos, não era sua postura quando o chamavam ... era um mistério. 
Líder por natureza ... nunca, ninguém o  vira chorar ... sua voz Ah! essa ia do grave ao cochicho ... ninguém sabia de sua origem. 
Era raro vê-lo em uma monta de qualquer bicho. Preferia sempre andar. Circulava entre os seus, e passava sempre despercebido, quando, o repentino tocava eis que ele fazia presente... sua respiração....
Em dias de frio, usava aquela  manto feito de animal... manto suave,limpo, não acolhia os braços, mas, por causa disso, ele parece que dobrava de tamanho, em suas pernas ele sempre usava as sandálias de couro e as tiras grossas, quase chegavam às suas coxas. Todos percebiam as cicatrizes  perto do peito, mas, ninguém sabia o tamanho e  nem como se machucara, mas, o "grande homem" um dia fora ferido....não derrotado.
Era procurado por todos. Ele ouvia a todos. Todos sempre o convidavam a vir à mesa. Ele nunca foi. Nunca fora visto em bando... alias, ninguém sabia se ele tinha ou não amigos....as pessoas achavam que ele era suficiente demais pra ter  amigos... e depois... aquele olhar... aquele olhar dava medo ... vai ver  que ele tenha nascido pra viver só ... tão só.
Mas, um dia.... o Grande Homem  barrava próximo a um rio. Talvez estivesse banhando-se ou, inspecionando...não se sabe, mas, contam, que ele  mesmo de pé, juntava seus braços à cabeça e chorava... ele procurara um canto bem escondido... mas chorava ... dizem que urrava até... o galho de nosso espião quebrou e este veio cair ao chão, e nosso Grande Homem como uma rapidez de uma flecha, vira seu rosto e avistara o pequeno espião. O pequeno menino, encolhe num buraco usando suas pequeninas mãos como escudo temendo o pior ...Afinal ...estava ao Grande Homem.
Os olhos de ambos cruzaram, fitaram .... da face da pequena criança riscavam gotas de suor, e do Homem somente lágrimas que secavam ante a descoberta do pequeno  menino. O olhar entre eles fez parar todo matagal.... de repente o ar parou de circular, nenhum galho  se movera... ouvia de longe, o barulho manso do correr do rio...e para tanto, o Homem seguia ao encontro da criança.O pequeno menino imitou o homem. Levantou,  juntou os punhos e saiu do buraco ... " não tenho nada a perder" -pensou o pequeno flagelo ... de longe, o Grande Homem percebia as vestes da criança... tão humilde, tão frágil ....ele tinha todo tempo do mundo  em saber o que fazer com ele ..." espionando-me? porque? a mando de quem??" ele ora enfurecia, ora acalmava ...ora desprezava....Ele nao sabia o que exatamente iria fazer com a pequena a criança....e  a criança... olhava aos céus e matas e nao rezava e nem se lamentava: iria morrer.
Então os dois estavam ali, frente a a frente. O pequeno pode perceber que ele de fato era muito grande, seus pés, os músculos.... suas pernas eram como toras... os braços daquele homem poderiam facilmente quebrá-lo em dois... mas, a criança mirava o olhar de fúria do homem ... sim, ele era um homem muito forte.... mas, aquele olhar... aquele olhar o deixara paralisado .... Se preparou pro  pior.
Sua voz saiu como um miado de um gatinho....."....desculpa moço... eu só...." e seguiu olhando os olhos dele ... " o que fazes por aqui?? quem o mandou?? o que queres?"  já agarrando o braço esquelético da criança... " nada....nada mesmo...eu te vi, ali , nunca te vi chorando, eu nao vou contar prá ninguém... juro - juntou as pequenas mãos implorando e jurando pela sua miserável vida -não vou..." -  " contar o que? que me viu chorando? contar que sinto dor? contar que tenho saudades? contar que a solidão doí??? isso??? ahahhahah! imbecil!!!!" - a pobre criança, franziu o cenho e disse: " oh! eu nao sou imbecil! ninguém me trouxe aqui, ninguém me pediu pra segui-lo .... eu o vi, e fiquei curioso... e não sou imbecil.... estendeu os braços e determinou ....mate-me então!!!"
O homem duvidou daquele ato. Empurrou a criança, nao querendo machucá-la , viu a ali ele pequeno um dia... ajoelhou ante a criança, pra nivelar aquela guerra de olhares e disse: " Não, você não é imbecil...um tolo talvez... mas, venho aqui, e agora você sabe, todas as vezes que me sinto só... uma luta terrível entre sair  do mundo dos mortais  e viver  a minha jornada... Não há nada que me faça chorar tanto estar neste mundo e ser desenganado por outro... Obra de quem? Me resigno quando percebo que essa é minha sina ... choro , porque  minha hora passou....aliás, ela jamais chegará ... entenda...Nada me prende. Nada me solta .... tive um lar, fui feliz...  e meus filhos e minha amada, não me reconhecem mais...Esta é minha condição.... ser o Guardião desta aldeia.... e aparência desfigurada  é o que me mantem forte, em pé...  minha cidadela. Você nao vai dizer jamais que me viu chorando ... e se assim o fizer... foi por saudades.... agora... anda ... "- empurrou o pequeno espião .... Nosso espião deu as costas ... nao andou, pode sentir que o Grande Homem estava às suas costas, não conteve e  disse " também venho aqui prá chorar ...  não sempre.... por que você nunca me reconheceu....não fiz de propósito - Pai" - A criança deu as costas, e lágrimas caíram do seu frágil rosto ...  E o homem viu o caminhar  daquela criança e confuso, ajoelhou e mais uma vez chorou:por vergonha, pelo seu egoísmo...ao levantar sua cabeça percebera que a pequena criança desaparecera... mas, não seria difícil encontrá-la... alias, ele nada mais sabia... Subitamente, Velho Antero em seus passos trôpegos agarrou em um dos braços do Homem e  tomaram a trilha oposta.... o Velho agora teria muita coisa pra contar. Retirou  do bolso de sua calaça surrada um lenço e um pedaço de " fulô" pro moço ... e foram ... por ali, entre o rio e o campo de "fulô" e se ouvia de longe a voz do velho " eh eh eh! moço frondoso si isqueceu eu tem vida aqui fio!??? eh eh eh bora pro meu casuá....o véio tem um café e um  pito ... aruma essa cara de bobo...o Pai Oxalá  agraçou vossa vida meu Fio..."  O homem seguia o véio seguro e feliz... mas, com medo .....
Crédito imagem" Povo de Aruanda"

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Você está partindo.





Com estes olhos de despedida
a vida hoje me parece algo perdido
sem valor, sem planos ...
por que sei ... que você está partindo ...

Com estes olhos para o nada
e minhas pernas presas ao chão
há um ruido em  meus ouvidos, dentro de mim,
é meu mundo interior  ruindo,
acabando. desmoronando.

Você está partindo

É o mesmo que o jardim sem rosas
O céu sem  o sol.
e aqui
com estes olhos
é permitido chorar
porque você está partindo.

Você parte silenciosamente
Com estes olhos 
retenho minhas lágrimas
ouvindo dentro de mim
meu mundo ruir....
Sem parecer que sofro
e silenciosamente
como  a vida impôs:
sofro com a dura despedida
e a criança que há em mim... insiste: " poderás voltar pelo mesmo caminho que abrimos: a trilha de nossas vidas ..."

Você está partindo, Cá  sentarei na trilha...
ver tua silhueta afastando
até ao cair do sol ...
Logo menos será noite
e meu mundo  gritará por você
então,

Serei eu e as estrelas
com tua lembrança e saudade
Porque, você partiu ....



https://www.youtube.com/watch?v=nO-eoQki2WQ






segunda-feira, 27 de março de 2017

E assim será

E assim será...
Passarei por sua vida sem que você percebesse ...
Não  percebeu meus olhares... Meus pequenos desejos....
E assim será...
Partirei sem dizer adeus, e sei que a vida une, mas, também separa ...
E assim, deverá ser ....
O silêncio minha fortaleza, e meus devaneios bálsamo  para  meu coração ...
E assim será...passarei por sua vida sem ser notada ...
Portanto ... te digo, adeus, mesmo querendo por toda minha vida,
mesmo querendo  ver seu riso, ouvir tua voz, caminhar teus passos ... 
Não se sei me quiseste um dia... não sei, mas, passarei por sua vida sem que você percebesse ...
Sei que não esquecerei ... Mas, assim será...  e meu carinho triste e apaixonado
me guiará por minha vida...
No fundo de minha alma,
um coração que diz que  jamais o esquecerei ...
portanto... digo, adeus por toda vida...  
Ah! não sei se te queria.... ah! não sei por que tão triste amor,
mas,
fixarei em mim teu olhar ...mas,
jamais encontrei essa alma dormida e calma como a sua ...
E assim será...
Passarei por sua  vida e você jamais saberá de mim ...
E assim, será... irei sem aquele adeus...
em meu barco de fantasia
como o amor que criei por você... 
e por ai
seguirei... me acostumando com sua ausência ... por que a distância existirá
e eu,
pela vida seguirei ... 
Sabendo que passei por sua vida sem que percebestes .... 

(crédito imagem:https://pequenoromeu.wordpress.com/category/sem-categoria/)




quinta-feira, 16 de março de 2017

Alma Cigana

E ela agarrou suas mãos sabendo que era a  última vez.
Olhou em seus olhos, e todo maior sentimento que havia dentro dela, transmitia  ao olhos dele... naquele olhar profundo. Ficou  minutos olhando aquele belo rosto para não esquecer ... " não posso esquecer sua geografia" ....
Ele segurava suas mãos trêmulas e frias e não entendia o por que , e também não  perguntou. 
Sabia que  algo de errado  estava acontecendo ali entre os dois.... e só ela sabia.... também fitou seus olhos com tristeza.
As lágrimas que caíam de seus olhos sem esforço algum, era o sinal da despedida,  a insistência de que tudo um dia ficaria bem era ilusão. Eles estavam dizendo adeus. Ela dizia adeus e nem sabia como, e como um trem em desabalado movimento ela revelou tudo.
" Por  favor, não me volte a ver, te amo, te quero muito.... cada vez que sinto seu olhar próximo a mim, há algo que me faz tremer e ..não responderei por mim ... Te peço ... não me volte a ver.... Tento, preciso te esquecer é melhor assim ...é melhor sentir essa dor e não tê-lo junto a mim ... Te peço ... não me volte a ver..."- Sentou -se  junto a um riacho, deixou os raios do sol iluminar suas lágrimas e continuou... " o que sinto por você é tão grande, que, duvido que qualquer correnteza que arraste uma pedra tenha mais forças que meu amor... duvido que o vento que derruba cada galho daquela árvore tenha mais precisão que meu amor.... por favor, não  me volte a ver...  nunca mais ...prefiro te perder ... prefiro..." 
Em posição  maior que ela, ele cabisbaixo entendia, sabia que era certo, mas, entristecia por sua verdade, era hora do adeus sim.  Não cabia mais ali explicação alguma. Ela havia tentado , e ele, recebeu todas suas tentativas, mas, não correspondeu e por isso, era necessário aceitar a despedida: ele havia falhado. O coração do jovem rapaz chorava e qualquer retrocesso seria uma ilusão. Ela estava partindo. 
Ao levantar, ele olhou seu corpo. Lembrou de quantas vezes estiveram juntos, unidos, lado a lado, pele e boca, o cheiro de seus cabelos cortinaram em seu rosto, os olhos, mesmo vermelhos eram os mesmos que o encantavam, ainda assim, ele não lutaria... ela estava partindo. Enquanto olhava sua amada, não sabia o  que seria de sua  vida  sem ela. Tudo seria diferente,tudo que pode dizer foi " perdoe-me meu erro por te querer ... sei que não eres feliz ao meu lado ... vá... segue sem mim ...- nossas vidas tomaram um rumo que não sei se desejo prá mim ... vá... te amarei ....embora tenha permissão para encarnar, não irei. Não devo ir. Sei que farei sofrê-la  novamente. Desgraçadamente não aprendi a amar. Desgraçadamente não aprendi a dividir. Vá sem mim. Não me espere. Não  irei ..."
A jovem torceu o rosto, desacreditando naquelas palavras. Partiria sim. Saberia que sua vida seria vazia, mas, ainda assim, iria...não insistiria... e sem mais por que, deu as costas e caminhou pela trilha sem olhar prá trás.
Ele fechou os olhos, e sentiu o pulmão grande, alto, cheio de ar,  sedento por um cavalo, por correr pelos pampas e desertos, imaginava em sua cintura a pistola companheira, o cheiro da bebida, as risadas e o céu estrelado ... ainda podia ver a belas  mulheres ao seu lado ... era alma de pistoleiro ... era matador, ninguém o encontrava, ninguém o detinha, apertou seu punho, faltava seu violão, lembrou daquele deserto...era sua casa... alguém havia o  matado ... lembrara  daquele céu negro... ele vestido de negro...lembrara que o procuraram por muito tempo, e a noticia chegou: " Mataram o Cigano Pistoleiro lá no deserto..." o Encontraram com os olhos abertos....  estavam abertos porque a ultima visão que viu foi dela... Sua amada ... por isso, ele não voltaria...  Ainda não havia aprendido a amar ... amava a si, amava sua vida de bandoleiro .... ainda ficaria por ali. 
Abriu os olhos ... seu mentor olhou de maneira triste, mas compreensível.... ambos lamentavam por ela... de fato, partiria sem ele e  ele ficaria com ele mesmo... com sua Alma Cigana ...   Seguiram pela mesma trilha  e de seus olhos rolaram lágrimas ... de saudades, de amor.... de vida... de ser Cigano ... o abraço do mentor confortou o jovem e a trilha acolheram os dois... 





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Voo das Estações

Entra e sai estação,

Se finda uma...

As folhas caem e o sol queima minha pele...

E tudo segue sua rota,

Faço mil coisas para te esquecer,

Esquecer aquele passado ...não foi nesta estação

Não foi nesse verão, nem no inverno passado ...

O passado foi precioso ...talvez por isso esteja 
presa a você ....


Até quando?

Pronunciar teu nome lentamente agora é um mantra,

Ainda tenho em minhas mãos seu rosto colado ao meu...

Ainda peço a Deus viver , mesmo sem você

Mas, amanhã, desistirei ...é sabido que não rezo mais

Nem por mim, nem por você, nem por nós...

Só vivo ...

Na moldura é seu sorriso sim

E entre as mil coisas

Invento um voo de pássaro ferido

Indo atrás de outra estação

Para não me sentir tão só...

Refazendo minhas mil coisas

Novamente erro a rota costumeira

E entre o mantra e a moldura

Me rendo ao precioso passado ... ao final de uma 

nova estação ...